sexta-feira, 2 de fevereiro de 2024

Agricultores, outro mundo

Estão nas ruas inúmeras manifestações de agricultores. Para além dos motivos relacionados com subsídios, etc., pergunto-me se uma grande questão não estará relacionada com a incompreensão de parte a parte. O que pensará um agricultor quando vê nas notícias que as grandes preocupações atuais são a semana de trabalho de 4 dias, aa exigência de trabalho remoto e a revolução digital?

terça-feira, 16 de janeiro de 2024

Em campanha

Olhar para o futuro e pensar no que queremos fazer, como queremos fazer e agir em função desse pensamento é um passo importante. Refletir sobre as ações passadas e as suas consequências ajuda-nos a orientar essas ações.

Mas para evoluir não podemos estar fechados sobre o passado e apenas constatar o que está mal, o que foi mal feito e quem o fez. Temos de começar por aquilo que almejamos e não pelas limitações. Dessa forma, até os sonhos são pequenos.

Que raio de gente está em campanha!

quinta-feira, 7 de setembro de 2023

segunda-feira, 28 de agosto de 2023

Justiça e direito

 Não fui investigar o assunto, mas imagino que o direito foi criado como um conjunto de regras que tentam assegurar, da melhor forma possível, que conseguimos estar próximos dos valores razoavelmente consensuais que compõem a justiça e para impedir, portanto, possibilidades como a justiça pelas próprias mãos, pois isto seria, em termos práticos, uma lei do mais forte.

Havendo a sensação, por parte de alguns, de que outros membros de uma comunidade conseguem evitar as consequências do desrespeito por essas regras, facilmente se dará o caso de estes acreditarem que não existe uma comunidade mas antes sub-comunidades em que alguns se movem impunemente. E, a ser assim, facilmente surgirão os que pensam que não vale a pena contribuir para a comunidade.

Wisdom


 

quarta-feira, 26 de julho de 2023

Comunidade, igualdade e justiça

 

Numa comunidade todos contribuem para o bem comum, ou seja, cada um contribui para que ou outros fiquem melhor e para que todos tenham uma qualidade de vida mínima assegurada.

A pior coisa que pode acontecer a uma comunidade é a falta de confiança nos outros membros da comunidade e nas instituições que a governam ou lhe dão suporte. Essa é a grande responsabilidade de quem governa ou está à frente de uma instituição pública: assegurar que a mesma cumpre o seu propósito e, principalmente, que a comunidade não perde a confiança nela. Ao perder a confiança, nasce em alguns o sentimento de que não se faz parte dessa comunidade e, nesse caso, valerá a pena continuar a contribuir para ela? Questões como corrupção e laxismo corroem a confiança de muitos e os que ficam para trás raramente conseguem regressar.

A continuar…

sexta-feira, 14 de julho de 2023

Guerras

A guerra continua. Há lutas na rua e lutas pelo poder acima. A ordem não é, certamente, esta. A classificação entre bons e maus é uma tentação fácil mas esta é também uma guerra (como muitas vezes ao longo da história) por um modo de vida. Entre um em que podemos fazer escolhas e outro em que muitas delas estão vedadas ou têm consequências inaceitáveis.

quinta-feira, 13 de julho de 2023

Educação?

Decorrem, já há bastante tempo, manifestações dos professores. Contra as condições de trabalho, concursos e progressão na carreira, principalmente.

Não tenho nenhuma solução mágica mas acredito que a gestão de concursos e de carreiras estar mais centralizada nas escolas traria vários benefícios.

Mas há um ponto, para mim, mais importante que este – a escola e os professores. Temas como sustentabilidade, igualdade de género, saúde, digitalização, erradicação da pobreza, integração e cooperação dificilmente poderão evoluir de forma significativa sem uma participação ativa das escolas e dos professores. Assim, estes serão protagonistas de uma mudança que está e vai continuar a acontecer e terão de ser um dos braços de uma estratégia para não deixar ninguém para trás. Isto por si só seria um desafio suficientemente estimulante para muitas pessoas. E, no entanto, cada vez menos pessoas se candidatam para ser professor.

Volto ao início. Não tenho solução mágica mas acredito que centrar a profissão naquilo para que está pensada (e não em incontáveis tarefas administrativas), reconhecimento, remuneração que permita não ter de pensar em fontes de rendimento adicionais (permitindo mais tempo pessoal) e maior participação na definição dos percursos educativos locais serão decisivos para que mais pessoas queiram abraçar esta profissão.

A alternativa é termos menos professores e, cada vez mais, maior proporção daqueles que o são como segunda opção.

terça-feira, 27 de junho de 2023

Ainda sobre rankings

 Acho que a discussão sobre os rankings das escolas é muito conveniente para quem devia geri-las. Adicionalmente ao que escrevi no post "Sobre rankings", ao ouvir o governo justificar-se com o facto de que há seleção de alunos, etc., etc., ocorre-me o seguinte exercício: vamos imaginar por instantes que não existia ensino privado. Quais seriam os planos para o desenvolvimento e melhoria do ensino e das escolas?

quinta-feira, 8 de junho de 2023

Pai

O pai era uma pessoa boa. Conseguia conceber um mundo melhor e agir em função dessa ideia. Acreditava que as nossas ações podem mudar o mundo e torná-lo melhor. E fazia-o, nas diferentes facetas da sua vida.

Aplicava com naturalidade todo o conhecimento que tinha às pequenas situações da vida e tinha uma disponibilidade grande para aprender e ajudar os outros a fazê-lo. Tinha visão, e usava-a principalmente para os outros. Percebia que o conhecimento é indispensável e que as diferenças no acesso ao mesmo são também uma forma de discriminação. Do que me lembro, desde pequeno, ficou-me sempre a ideia de empurrar e desafiar aqueles com que trabalhava a tentarem mais e melhor. 

Sem ter pensado nisso até agora, e estando numa área e num ambiente de trabalho tão diferentes das do pai, é mesmo algo mesmo bom de se fazer e uma forma natural de contribuir para que o sítio em que trabalhamos seja um (como se diz por aí) “great place to work”.

Acho que, às vezes, ficava desiludido porque achava que eu poderia atingir mais nos meus estudos. Fiz outras coisas que, sei, o deixaram contente. Tento replicar a forma séria, íntegra e corajosa como vivia e estava nas diferentes situações. E nem sempre é fácil.

Acho que ia ficar feliz de ver os meus rapazitos a correr lá por casa, assistir aos jogos do Daniel, trocar linhas certeiras com o David e desafiar o Dinis para ver um filme sentado ao seu colo a comer um bolo.

Com o passar do tempo, acho que me sinto cada vez mais próximo do pai. No gosto que tenho em ver alguns filmes de forma repetida. Na facilidade com que choro de orgulho e felicidade com as mais pequenas conquistas dos meus filhos. Nas fúrias que me dão. Na perceção de que a felicidade pode estar na forma curiosa como abordamos a vida e, se calhar, no prazer de estar com os outros, mesmo numa conversa com histórias já repetidas.