quarta-feira, 7 de outubro de 2026

Começar a vida sem começar do zero (II)

Voltando ao tema, vale a pena perceber a dimensão e o possível impacto da ideia.

Vamos imaginar que o programa abrangeria 10.000 crianças por ano.

No primeiro ano, custaria 9 milhões de euros. No segundo, 18 milhões. E assim sucessivamente, até que, ao fim de 18 anos, o Estado estaria a gastar cerca de 162 milhões de euros por ano para manter o sistema.

É muito dinheiro?  Vendo assim, sem termo de comparação, é. Mas colocado noutra escala, representa cerca de 0,12% da despesa pública.

Não sei se 75 euros seriam o valor certo, se deveriam ser 10.000 crianças e nem sequer qual seria a melhor forma de definir quem teria direito.

E não pretendo que seja uma solução mágica para resolver o problema da pobreza.

Mas a questão não é essa. A questão é que é possível pensar em alternativas.

Em vez de responder apenas a um problema que já existe, é possível tentar antecipar um problema futuro. Em vez de esperar pelos 18 anos para perguntar o que podemos fazer por aquela pessoa, é possível agir no dia em que nasce.

Talvez não seja a solução. Mas é uma possibilidade.

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