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Casas com riscos

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Ouvem-se com frequência os comentadores e opinadores a afirmar que o preço inflacionado das casas é um risco muito elevado para os bancos. É verdade, claro. Mas e para as pessoas que não conseguem comprar nem alugar uma casa para viver? Ninguém considera o risco para estas? É que, nestes casos, não há compensação posterior que anule viver na rua ou num quarto sem condições.

Em Arouca, a família

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Estive em Arouca há uns dias para um encontro de família. A “origem” da família está nos meus bisavós e deles descendem inúmeros ramos. Levei a minha família, que é um raminho saído de outro maior. A minha mãe representa um grande ramo, considerada e ouvida por todos com respeito e amizade. É um dos momentos em que a felicidade lhe inunda a cara. Em Arouca — e sem ser aí — fomos, como sempre, uma família ruidosa e alegre, com uns arrufos passageiros pelo meio. Mesmo com um primo novo que ainda não conhecíamos, depressa nos sentimos acarinhados e contagiados por uma boa disposição genuína que faz estes momentos perdurar como boas memórias. Deve ser isto a que chamam família.

Vacinas. Ou falta delas

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Lendo as notícias, houve um surto de sarampo na Pensilvânia, havendo já alguns mortos. O surto ocorreu numa zona onde a taxa de vacinação é muito baixa e a ocorrência foi, em grande maioria, em pessoas não vacinadas. Em setembro, menos de 1% dos casos identificados tinham ocorrido em pessoas adequadamente vacinadas. Todos sabemos que correlação não significa causa mas deixo abaixo um gráfico que mostra a evolução da vacinação e da mortalidade por sarampo. Mas ainda há quem insista.

Cortar o cabelo

Cortar o cabelo sempre foi uma coisa simples. Chegamos, cumprimentamos, sentamo-nos e a conversa começa a fluir. O António é o barbeiro que se adapta naturalmente ao cliente. Futebol, políticos todos iguais, preço dos combustíveis, e muitos outros, são tudo temas em que nunca lhe falta conteúdo, consoante a contraparte. Corto aqui o cabelo há mais de 40 anos e sempre assim foi, com a águia embalsamada a observar os cortes. Deixou de haver calendários sugestivos; passou a haver um papagaio que atira piropos a quem passa. Aqui há tempos, teve uns problemas de saúde e esteve, naturalmente, sem trabalhar. Lá tive de me dirigir a um local de corte alternativo, num centro comercial próximo. - Então, como é que vai ser? - perguntam-me. - Como é que vai ser o quê? - pergunto de volta. - Como é que quer o corte? Que pergunta. Sei lá como é que quero o corte! Nunca o António me perguntou tal coisa. Sento-me e ele corta enquanto falamos. Simples. Da única vez que sugeri que queria cortar mais cur...

A liberdade da IA

Vale a pena ler isto . Foi "roubado" do duas-ou-tres.blogspot.com/ , onde é sempre possível ter uns agradáveis momentos de leitura.

Porque gosto do Fernando Mamede

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Gosto do Fernando Mamede. Foi um grande atleta. Foi recordista nacional dos 800 aos 10.000 metros. Ganhou dezenas de títulos individuais e por equipas no corta-mato, correu por Portugal em inúmeras competições e, em 1984, estabeleceu o recorde mundial dos 10.000 metros. Durante cinco anos, ninguém no mundo correu a distância mais depressa. Mas, há dias, ouvia alguém falar dele lembrando apenas a corrida que não ganhou.  Chegou a criar-se uma expressão para isso: a “síndrome de Fernando Mamede”. É curiosa esta necessidade de transformar um atleta extraordinário num exemplo de fracasso. Especialmente curioso num país em que a cultura e os méritos desportivos são dos piores da Europa. Para colocar as coisas em perspectiva, passaram mais de 40 anos e o tempo que Mamede estabeleceu em 1984 continua a ser a segunda melhor marca portuguesa de sempre nos 10.000 metros — por pouco mais de um segundo. Não ganhou tudo e falhou em momentos importantes. Mas foi um dos melhores atlet...

Ler tanto e tão pouco

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Atrevo-me a dizer que nunca se leu tanto como hoje. Entre mensagens de Whatsapp e conteúdos nas redes sociais, serão aos milhares o número de palavras diárias que absorvemos. Serão milhares de palavras lidas diariamente mas, maioritariamente, de conteúdo pobre, com cortes estranhos e nexo duvidoso. Agora ainda temos uma intelegência adicional que explica e faz companhia. E ainda não percebemos que a maior ajuda que podemos dar aos nossos filhos é mostrar-lhes como esta inteligência os pode ajudar a ser e fazer melhor e não a arranjarem forma de a porem a fazer quase tudo em vez deles. O perigo da IA será ainda maior para os que leram pouco e pensam pouco e mal.

Causa Nossa: Este País não tem emenda (37): Grau zero de civismo

Não gosto, por princípio, do sistema de denúncias mas confesso que em alguns casos quase que apetece, O que se vê no post abaixo do blog Causa Nossa está generalizado pelo país fora. Causa Nossa: Este País não tem emenda (37): Grau zero de civismo Realmente é preciso mais do que uma disciplina de educação cívica para mudar estas e muitas outras coisas afins. 

Processos de leitura

 Parece que um senhor mesmo esperto vai enviar emails a todos os funcionários públicos dos EUA para que estes respondam a explicar o que fazem ou o que fizeram nos últimos dias. Do que vi, são aproximadamente, 3 milhões. Para além da idiotice da ideia, ocorreu-me outra (idiotice, talvez). Assumindo que uma boa parte responde quem é que vai ler esses emails todos? Vão contratar novos funcionários para isso?

Coincidências...

Deve ser uma coincidência mas, numa altura em que todos estão convencidos de que é preciso a Europa armar-se fortemente, a extrema direita está a crescer a um ritmo avassalador na maioria dos parlamentos europeus. Estava aqui a fazer um exercício: vamis imaginar que a extrema direita consegue estar em maioria em alguns parlamentos na mesma altura em que a Europa (ou alguns países) está fortemente armada...

Agricultores, outro mundo

Estão nas ruas inúmeras manifestações de agricultores. Para além dos motivos relacionados com subsídios, etc., pergunto-me se uma grande questão não estará relacionada com a incompreensão de parte a parte. O que pensará um agricultor quando vê nas notícias que as grandes preocupações atuais são a semana de trabalho de 4 dias, aa exigência de trabalho remoto e a revolução digital?

Em campanha

Olhar para o futuro e pensar no que queremos fazer, como queremos fazer e agir em função desse pensamento é um passo importante. Refletir sobre as ações passadas e as suas consequências ajuda-nos a orientar essas ações. Mas para evoluir não podemos estar fechados sobre o passado e apenas constatar o que está mal, o que foi mal feito e quem o fez. Temos de começar por aquilo que almejamos e não pelas limitações. Dessa forma, até os sonhos são pequenos. Que raio de gente está em campanha!

Mais comunidade

 Acho que uma coisa que nos falta para evoluirmos é mais sentido de comunidade.

Justiça e direito

  Não fui investigar o assunto, mas imagino que o direito foi criado como um conjunto de regras que tentam assegurar, da melhor forma possível, que conseguimos estar próximos dos valores razoavelmente consensuais que compõem a justiça e para impedir, portanto, possibilidades como a justiça pelas próprias mãos, pois isto seria, em termos práticos, uma lei do mais forte. Havendo a sensação, por parte de alguns, de que outros membros de uma comunidade conseguem evitar as consequências do desrespeito por essas regras, facilmente se dará o caso de estes acreditarem que não existe uma comunidade mas antes sub-comunidades em que alguns se movem impunemente. E, a ser assim, facilmente surgirão os que pensam que não vale a pena contribuir para a comunidade.

Wisdom

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Comunidade, igualdade e justiça

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  Numa comunidade todos contribuem para o bem comum, ou seja, cada um contribui para que ou outros fiquem melhor e para que todos tenham uma qualidade de vida mínima assegurada. A pior coisa que pode acontecer a uma comunidade é a falta de confiança nos outros membros da comunidade e nas instituições que a governam ou lhe dão suporte. Essa é a grande responsabilidade de quem governa ou está à frente de uma instituição pública: assegurar que a mesma cumpre o seu propósito e, principalmente, que a comunidade não perde a confiança nela. Ao perder a confiança, nasce em alguns o sentimento de que não se faz parte dessa comunidade e, nesse caso, valerá a pena continuar a contribuir para ela? Questões como corrupção e laxismo corroem a confiança de muitos e os que ficam para trás raramente conseguem regressar. A continuar…

Guerras

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A guerra continua. Há lutas na rua e lutas pelo poder acima. A ordem não é, certamente, esta. A classificação entre bons e maus é uma tentação fácil mas esta é também uma guerra (como muitas vezes ao longo da história) por um modo de vida. Entre um em que podemos fazer escolhas e outro em que muitas delas estão vedadas ou têm consequências inaceitáveis.

Educação?

Decorrem, já há bastante tempo, manifestações dos professores. Contra as condições de trabalho, concursos e progressão na carreira, principalmente. Não tenho nenhuma solução mágica mas acredito que a gestão de concursos e de carreiras estar mais centralizada nas escolas traria vários benefícios. Mas há um ponto, para mim, mais importante que este – a escola e os professores. Temas como sustentabilidade, igualdade de género, saúde, digitalização, erradicação da pobreza, integração e cooperação dificilmente poderão evoluir de forma significativa sem uma participação ativa das escolas e dos professores. Assim, estes serão protagonistas de uma mudança que está e vai continuar a acontecer e terão de ser um dos braços de uma estratégia para não deixar ninguém para trás. Isto por si só seria um desafio suficientemente estimulante para muitas pessoas. E, no entanto, cada vez menos pessoas se candidatam para ser professor. Volto ao início. Não tenho solução mágica mas acredito que centrar...

Ainda sobre rankings

  Acho que a discussão sobre os rankings das escolas é muito conveniente para quem devia geri-las. Adicionalmente ao que escrevi no post " Sobre rankings ", ao ouvir o governo justificar-se com o facto de que há seleção de alunos, etc., etc., ocorre-me o seguinte exercício: vamos imaginar por instantes que não existia ensino privado. Quais seriam os planos para o desenvolvimento e melhoria do ensino e das escolas?

Pai

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O pai era uma pessoa boa. Conseguia conceber um mundo melhor e agir em função dessa ideia. Acreditava que as nossas ações podem mudar o mundo e torná-lo melhor. E fazia-o, nas diferentes facetas da sua vida. Aplicava com naturalidade todo o conhecimento que tinha às pequenas situações da vida e tinha uma disponibilidade grande para aprender e ajudar os outros a fazê-lo. Tinha visão, e usava-a principalmente para os outros. Percebia que o conhecimento é indispensável e que as diferenças no acesso ao mesmo são também uma forma de discriminação. Do que me lembro, desde pequeno, ficou-me sempre a ideia de empurrar e desafiar aqueles com que trabalhava a tentarem mais e melhor.  Sem ter pensado nisso até agora, e estando numa área e num ambiente de trabalho tão diferentes das do pai, é mesmo algo mesmo bom de se fazer e uma forma natural de contribuir para que o sítio em que trabalhamos seja um (como se diz por aí) “great place to work”. Acho que, às vezes, ficava desiludido porque ...