Porque gosto do Fernando Mamede


Gosto do Fernando Mamede. Foi um grande atleta.

Foi recordista nacional dos 800 aos 10.000 metros. Ganhou dezenas de títulos individuais e por equipas no corta-mato, correu por Portugal em inúmeras competições e, em 1984, estabeleceu o recorde mundial dos 10.000 metros.

Durante cinco anos, ninguém no mundo correu a distância mais depressa.

Mas, há dias, ouvia alguém falar dele lembrando apenas a corrida que não ganhou. Chegou a criar-se uma expressão para isso: a “síndrome de Fernando Mamede”.

É curiosa esta necessidade de transformar um atleta extraordinário num exemplo de fracasso. Especialmente curioso num país em que a cultura e os méritos desportivos são dos piores da Europa.

Para colocar as coisas em perspectiva, passaram mais de 40 anos e o tempo que Mamede estabeleceu em 1984 continua a ser a segunda melhor marca portuguesa de sempre nos 10.000 metros — por pouco mais de um segundo.

Não ganhou tudo e falhou em momentos importantes. Mas foi um dos melhores atletas portugueses de sempre e chegou a ser o melhor do mundo numa das provas mais exigentes do atletismo.

É assim uma coisa um bocadinho portuguesa, lembrar alguém apenas pelo que não conseguiu e não por tudo o que fez.


nota: imagem gerada por IA

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